Os maiores desafios de quem começa a empreender | Parte1


Quer ter seu próprio negócio, mas não sabe como irá superar os obstáculos da vida empreendedora? Aprenda com quem já passou por isso:

A vida de quem tem um negócio é cheia de obstáculos – especialmente no começo da empreitada, quando a falta de prática na administração de empreendimentos é mais latente. Diante de tantos desafios, muitos abandonam o sonho de serem seus próprios chefes.

Mas não tem de ser assim. O melhor antídoto para a falta de experiência no mundo dos negócios é anotar os conselhos de quem já errou: outros empreendedores.

Por isso, reunimos grandes obstáculos de quem começa a empreender, com depoimentos de empreendedores reais com empreendimentos reais. Eles também relataram qual foi a solução encontrada para superar a adversidade e continuar com o negócio.

Dividimos em duas partes, Confira, a seguir,  quais são os 6 maiores desafios de quem está começando a empreender:

1 – Lidar com a solidão e a inexperiência

Muitos empreendedores citaram a falta de experiência ou de conhecimento como um grande desafio na hora de começar a empreender.

Vários, por exemplo, não sabiam como gerir as diversas áreas de uma empresa. “As maiores dificuldades para empreender surgem da falta de experiência ou de conhecimento especifico sobre a vastidão de temas que envolvem uma organização, do desenho de processos até detalhes do sistema tributário”, afirma Ana Cecilia Navarro, sócia da marca de roupas Dra Cherie.

Outros empreendedores citaram a falta de experiência em seu próprio ramo de atuação. “O maior desafio era que não possuíamos experiência anterior em empreendedorismo no segmento de internet”, conta Fernando Cymrot, do e-commerce automotivo Canal da Peça.

A solução encontrada por todos foi parecida: ler muito para aprender sobre o assunto e procurar mentores – pessoas que já passaram por situações similares e que podem transmitir seus conhecimentos e experiências, além de acompanhar os passos do seu negócio.

Outra solução é apostar na experiência dos seus próprios funcionários – desde que haja o plano de que esse conhecimento seja repassado para mais pessoas da equipe, evitando a dependência. Foi o que fizeram Daniel Luco Navarro e Gustavo Brunello, sócios-fundadores do negócio de alimentação LuccoFit.

“A solução encontrada foi se aliar a profissionais de qualidade, como cozinheiros e nutricionistas, que se identificam com a empresa e estavam dispostos a crescer juntos, dando o direcionamento e aperfeiçoando nossos processos”, contam os empreendedores.

2 – Abandonar de vez a vida de funcionário

Um desafio comum a quem quer abrir sua própria empresa é enfrentar o medo de abandonar a vida de funcionário. E a melhor solução para superar o receio é se cercar de uma rede de apoio e troca de conhecimento.

“A ‘solidão’ do empreendedor foi um grande desafio: não ter a estrutura corporativa que muitas vezes suporta com treinamentos, projetos e coaching fez com que eu me sentisse um pouco sozinho no início. Para superar estes desafios e não deixar que atrapalhassem o desenvolvimento do negócio, busquei na rede de amigos e de colegas empreendedores a ajuda necessária para aprender rápido sobre temas de startup”, conta Marco Zolet, CEO e fundador do Supemercado Now.

“Assim como eu, muitos empreendedores vieram de cadeiras corporativas e, em algum momento em suas vidas começam a empreender. Porém, o modelo mental ainda está preso no antigo mundo”, concorda Glauco Della Veja, fundador do negócio de networking República de Negócios.

“A solução para mim foi fazer uma formação voltada a negócios, liderança e empreendedorismo e também fazer um tour com vários empreendedores. Fiz muitas conversas e visitei muitas empresas.”

3 – Saber quando deixar de planejar e partir para a ação

Muitos empreendedores enfrentam o desafio de saber quando parar de refinar um produto e lançá-lo no mercado – especialmente no caso das startups, em que o timing é essencial.

“Aprendi que o planejamento em excesso pode matar a empresa. Um dos principais desafios no início foi encontrar o balanço certo entre planejamento e execução”, conta Gustavo Fuga, empreendedor da 4YOU2, negócio de cursos de idiomas a preços acessíveis.

“Durante os primeiros meses criamos planos de negócio, estruturamos os detalhes da operação, pensamos em organogramas detalhados, criamos processos complexos. Todo esse planejamento drenou muito tempo e dinheiro, recursos ultra escassos em quase todas as startups. Quando percebemos que éramos reféns desse excesso de planejamento, típico de grandes empresas, resolvemos que era a hora de rasgar o plano de negócios e ir para a rua testar demanda. Ou seja, executar e aprender durante a jornada.”

4 – Calcular custos antes de abrir uma empresa

Afinal, quanto custa abrir o seu futuro negócio? E de quanto dinheiro você vai precisar para não morrer na praia enquanto a empresa não dá lucro? Essas questões representam um grande desafio na vida de um empreendedor: cuidar das finanças empresariais.

Afinal, quanto custa abrir o seu futuro negócio? E de quanto dinheiro você vai precisar para não morrer na praia enquanto a empresa não dá lucro? Essas questões representam um grande desafio na vida de um empreendedor: cuidar das finanças empresariais.

Não saber fazer as contas pode comprometer a viabilidade do seu empreendimento. “A analogia que faço é a da compra um carro novo: junta-se dinheiro para a compra do veículo, mas não se calcula o quanto vai custar a gasolina, a manutenção, o seguro, o IPVA. E, dessa maneira, não se consegue manter o carro. No caso de uma empresa, o famoso plano de negócios é fundamental”, exemplifica Carlos Castro, fundador da marca de sapatos DIEM. Plano de negócios: Saiba com a ContaAzul como elaborar e comece agora Patrocinado

“O que fiz de diferente foi não fazer apenas um plano, mas vários: cada um com um cenário diferente, seja vendendo mais, seja vendendo menos. O último que fiz apresentava vendas nulas e, por meio dele, consegui estimar o quanto precisaria de capital de giro para aguentar um ano.”

João Furlan da Silva Telles, sócio-fundador da empresa de funilaria express ChipsAway Brasil, recomenda também o uso de sistemas que automatizam a maior parte dos cálculos, facilitando a análise mais estratégica da empresa.

Por fim, outro conselho importante é estimar o custo da burocracia e da desconfiança quanto ao seu negócio na hora de calcular o prazo de retorno do investimento.

“O tempo que gastamos para oficializar o projeto nos tomou quatro meses, falando basicamente do processo da abertura da empresa e demais processos junto a advogados, contadores e outros detalhes burocráticos. O empreendedor tem que estar disposto a trabalhar algum tempo sem perspectiva de faturamento”, afirma Paulo Teixeira, fundador do Ndays, e-commerce de produtos perto do prazo de vencimento.

5 – Defender o diferencial do seu produto

Se você está pensando em abrir uma startup, provavelmente se deparará com o desafio de convencer clientes e investidores de que sua ideia tem potencial.

“No início, enfrentei algumas barreiras para que principalmente o varejo compreendesse o diferencial do meu produto. Tive que conquistar um mercado e abrir um nicho de bebidas funcionais nas gôndolas”, afirma Daniel Feferbaum, CEO da WNutritional, fabricante brasileira de bebidas funcionais e orgânicas. “Para contornar essa situação, optamos em focar em uma divulgação por meio de profissionais de saúde que têm conhecimento técnico, pois os consideramos excelentes difusores do conceito das nossas bebidas.”

Para explicar o diferencial de seu produto, Antônio Miranda, CEO da Cuponomia, decidiu formar parcerias não com especialistas influenciadores, mas com os intermediadores do seu negócio: os grandes e-commerces. “Eles passaram a oferecer os códigos promocionais e ver como a estratégia funcionava. Gradativamente, fomos ganhando espaço e agregando valor.”

6 – Tornar sua empresa conhecida no mercado

O desafio de conquistar os primeiros clientes se relaciona a outro obstáculo: tornar seu negócio conhecido para o mercado.

Há várias formas de divulgar seu produto sem ter de pagar por anúncios de preço exorbitante. No caso da Dentpack, empresa de soluções para o mercado odontológico, a alternativa encontrada foi buscar os influenciadores do setor. Marketing digital: Conheça com a WorldSense as principais formas de anunciar na internet Patrocinado

“Eu precisava mostrar para profissionais e estudantes de odontologia que meu produto era funcional, prático e de qualidade. Nós buscamos pessoas influentes no mercado odontológico e enviamos nossos produtos para testes, pedindo que divulgassem feedbacks positivos ou negativos”, afirma Fabricio Figueiredo, sócio-proprietário da Dentpack.

Já a Direito de Ouvir, rede de clínicas de reabilitação auditiva, investiu no marketing digital e em um sistema de relação com consumidores (CRM). “Isso foi fundamental para tornar a marca e os produtos conhecidos. No último ano, a empresa cresceu 85% graças ao trabalho estratégico de conhecer, captar e reter clientes”, explica o CEO Fred Abrahão.

Fonte: http://exame.abril.com.br

Tudo o que você precisa saber sobre REFORMA TRABALHISTA

A reforma trabalhista está promovendo mudanças significativas no regime de contratação. Veja aqui como essas alterações interferem na relação de pequenas empresas com seus empregados.

Recentemente o congresso aprovou uma ampla reforma trabalhista. As mudanças foram sancionadas pelo presidente Michel Temer no último dia 13 de julho, e entram em vigor a partir de novembro — que é quando termina o prazo legal de 120 dias para a implantação do novo dispositivo.

A ideia é a de que, até lá, empregadores e empregados entendam bem o que muda de fato, seja em contratos novos ou em contratos já firmados. Como já existem muitos conteúdos tratando das alterações sob o viés das grandes empresas, este artigo é para orientar você, empreendedor(a), que é responsável por uma startup ou por uma scale-up (empresa de crescimento contínuo).

Afinal, a reforma traz mudanças que vão impactar diretamente a sua operação. E é fundamental que você as conheça para tirar o melhor proveito delas.

O que muda para as pequenas empresas?

O fato é que não há, na reforma, uma distinção entre portes de empresas. Mas o que resulta proveitoso para quem é responsável por um pequeno negócio é algo que, de certa maneira, é proveitoso para todos: a flexibilização de forma. Você deve ter ouvido críticas a respeito dessa flexibilização, de como ela implica a revogação de determinados direitos dos trabalhadores. Mas isso é equivocado: o que muda é a forma como esses benefícios serão assegurados, que comporta uma variação que antes não existia.

A meu ver, a flexibilização é especialmente benéfica para pequenas empresas. Para o modelo de negócio que está em desenvolvimento, a inflexibilidade era um tremendo desafio. O modelo de contrato era muito rígido e universal; uma grande empresa tem mais recursos para se ajustar a regras que não são tão favoráveis. Mas o empreendedor era muito mais sensível.

Por exemplo: a compensação de jornada de trabalho. Agora, há a possibilidade da compensação em regime de banco de horas individual ser feita em até 6 meses (antes só poderia ser semanal). Isso significa que o pequeno empreendedor tem a possibilidade de fazer um banco de horas sem ter que depender de sindicato para o qual nem sempre uma pequena empresa será prioridade. A pequena empresa pode conseguir acordo de compensação de jornada mediante um acordo individual, o que é muito mais dinâmico e eficaz. A questão do trabalho remoto também foi abordada: até hoje não havia regulamentação específica, o que causava dúvidas e insegurança, e agora há uma regulamentação específica.

Outro desafio que a legislação antiga para o empreendedor dizia respeito à contratação de executivos. Era muito difícil para empresas de menor porte competir com as grandes multinacionais nesse campo. Mas, agora, há uma série de dispositivos novos que possibilitam a autonomia de vontade em certos contratos de trabalho — podendo haver até cláusula de arbitragem. Isso proporciona maior amplitude de negociação entre empresas e empregados — o que também beneficia os empreendedores.

Enfim, de modo geral, a flexibilização concede, ao pequeno empreendedor, maiores possibilidades de conferir eficiência à gestão a partir da força de trabalho.

O QUE MUDA EM QUESTÕES COMO FÉRIAS, BANCO DE HORAS, JORNADA DE TRABALHO, IMPOSTO SINDICAL E HOME OFFICE?

Vamos lá!

Férias

Regra atual: Fracionamento das férias limitado a casos excepcionais, no máximo em dois períodos, nenhum dos quais pode ser inferior a 10 dias e não sendo permitido o fracionamento para empregados menores de 18 ou maiores de 50 anos.

Nova regra: Institui que férias poderão ser fracionadas em até três períodos. Um período de no mínimo 14 dias, e nenhum período inferior a cinco dias. Menores de 18 anos e maiores de 50 podem fracionar férias. Veda o início das férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal remunerado.

Banco de horas

Regra atual: É obrigatória a negociação com o sindicato, limitada a um período de no máximo 12 meses.

Nova regra: A negociação ocorre por acordo individual escrito com o empregado, limitado ao prazo máximo de seis meses. A negociação com o sindicato permanece, limitado ao prazo de 12 meses. Horas extra habituais não descaracterizam o banco de horas.

Jornada de trabalho

Regra atual: Possível mediante negociação com o sindicato.

Nova regra: Pode ser negociada diretamente com o empregado.

Contribuição sindical

Regra atual: Obrigatória e equivalente a 1 dia de salário por ano

Nova regra: Estabelece que as contribuições sindicais dos empregados passarão a ser voluntárias mediante autorização expressa do empregado. E que a contribuição sindical da empresa também será opcional.

Trabalho remoto/home office

Regra atual: Não há previsão legal.

Nova regra: Regulamenta a atividade como trabalho predominantemente fora das dependências do empregador. Estabelece contrato escrito. Institui que a responsabilidade pelo fornecimento e manutenção de equipamentos de TI e pelo reembolso de despesas do empregador ao empregado deve ser definida no contrato escrito. Estabelece a possível a mudança de sistema (presencial para home office e vice-versa) por mútuo acordo ou, no caso de mudança do sistema de home office para presencial, por imposição do empregador.

Falando sobre acordo sindical: o que muda de fato?

A principal mudança proposta pela reforma é a revogação do imposto sindical. Isso acabou. Mas o mecanismo pelo qual a negociação ocorre permanece o mesmo. Não há uma mudança jurídica nas relações sindicais. Os sindicatos continuam “valorizados”, porque determinados acordos dependem deles.

As negociações continuam do mesmo modo que sempre foram. Continua existindo a convenção coletiva, estabelecida entre entidades patronais e sindicatos que se reúnem a cada ano para ao menos discutir reajuste salarial. As determinações incluem todos os trabalhadores de um determinada atividade em um determinado território e as empresas dentro do mesmo contexto.

Mas com a reforma ganha relevo, também, o acordo coletivo, estabelecido entre uma empresa e um sindicato. O que é benéfico aos empreendedores.

Tome, como exemplo, o setor de tecnologia. Temos startups e pequenas empresas, e as grandes: é o mesmo sindicato que representa todos os trabalhadores. É muito difícil imaginar que esses trabalhadores tenham todos as mesmas necessidades. Haverá necessidades de cláusulas de contrato que interessam mais a grandes empresas, outras a menores.

Assim, o acordo coletivo permite que uma determinada empresa vá ao sindicato apresentar uma necessidade (banco de horas, por exemplo). Esse acordo pode ser feito entre a empresa e o sindicato.

O desafio da relevância nas negociações com sindicatos

Uma consideração que eu gostaria de fazer diz respeito à relevância das pequenas empresas nessa negociação com sindicatos. É uma questão delicada: como o pequeno empresário com dez empregados se torna tão relevante quanto uma empresa com muito mais empregados? O impacto social de um acordo coletivo é maior do que aquele com poucos.

Fica a impressão de que, embora o pequeno empreendedor possa ir diretamente ao sindicato, seja mais provável que ele ainda vá “de reboque” nas convenções. Assim sendo, uma alternativa interessante é o acordo de compensação individual de 30 dias ou o banco de horas individual.

De que forma os empreendedores podem se beneficiar com essas mudanças?

O empreendedorismo se beneficia na medida em passa a poder ajustar o contrato de trabalho à sua realidade de negócio. A reforma corrige uma extemporaneidade, que era o pressuposto de que todos os negócios são iguais, ou de que todos os empregadores têm os mesmos desafios.

Assim, a grande virtude da reforma é permitir algumas customizações do contrato. Flexibilizar, nesse caso, não implica perda de direitos. O que muda é como isso será definido.

Fonte: https://endeavor.org.br

Contabilidade de custos, qual a importância para o meu negócio?

A contabilidade de custos te ajuda a responder muitas perguntas que aparecem diariamente na sua empresa.

Alguns exemplos: é possível dar aquele desconto para um cliente fiel? Se for, qual o máximo de desconto possível em cada item da venda para que ainda haja lucro?

E mais: quantos itens de um determinado produto você tem que vender mensalmente para que ele seja realmente lucrativo? Há produtos que você deveria deixar de comercializar por serem caros de produzir se comparados com o preço final?

Neste artigo vamos te mostrar a melhor maneira de responder a essas perguntas e ainda ter um controle de custos muito melhor, produzindo e vendendo os produtos certos pelo preço certo. Acompanhe até o final:

O que é contabilidade de custos

A palavra “custo”, no vocabulário das empresas, não quer dizer a mesma coisa que gastos ou despesas.

Toda vez que você ler essa palavra escrita aqui, saiba que nos referimos ao dinheiro que você gasta para produzir aquilo que vende.

Assim, se você é dono de uma fábrica de roupas, por exemplo, você usa máquinas e ferramentas na fabricação e precisa de matéria-prima (tecidos e tinta, entre outros).

As máquinas, por sua vez, gastam energia elétrica para produzir a roupa, então sua conta de luz também é um custo.

Por outro lado, se você tem funcionários para manter um site, alguém que trabalha na parte de marketing, vendas online ou divulgando sua marca nas redes sociais, o valor que paga a eles não é um custo e sim um gasto.

Eles te ajudam a vender o seu produto, mas não atuam na produção dele.

E a contabilidade de custos nada mais é do que uma forma de conhecer e ter controle sobre os custos de produção de cada item que você vende, racionalizando-os e tomando as melhores decisões para ganhar o máximo nas vendas, gastando o mínimo.

Por que fazer

A contabilidade de custos não serve apenas para ter na ponta da língua a resposta para as perguntas que fizemos no início deste texto.

Ela é, também, uma forma importante de acompanhar a evolução contábil do seu negócio.

Afinal, o seu produto é uma espécie de termômetro da empresa como um todo: se o valor que você cobra por ele aumenta e as vendas se mantêm, bom sinal. As pessoas reconhecem a qualidade e acham justo pagar mais.

Ou então, se você tem vendido cada vez mais e, por isso, pode baixar o preço final — o que significa que a produção se tornou relativamente mais barata por causa da quantidade — isso é outro indício de que as coisas vão bem.

Com o passar dos anos, você pode comparar esses números e, a partir deles, ter um diagnóstico preciso da evolução patrimonial, financeira e contábil da sua empresa.

Quais são os tipos de custos

Agora que você já sabe que os custos são o que você gasta na produção daquilo que vende, vamos entender melhor as categorias em que eles podem ser divididos:

Custos diretos

Esses são os mais fáceis de identificar. Na loja de roupas que usamos como exemplo, o tecido e a tinta seriam custos diretos. Isso porque eles têm uma relação direta com o produto.

Quanto mais roupas você produzir, aliás, maior será o seu gasto com esses itens. Por esse motivo, os custos diretos podem ser chamados também de custos variáveis.

Custos indiretos

Os custos indiretos são gastos que você tem com o seu produto, mas que não se relacionam diretamente com ele.

Por exemplo: se você tem um funcionário que supervisiona cada etapa da produção das roupas, o salário dele é um custo indireto.

Mesmo que a produção diminua ou aumente, o pagamento dele permanece o mesmo – claro, se você paga comissão, ela não entra aqui.

Como os custos indiretos não variam com o aumento e diminuição da produção, eles costumam ser chamados também de custos fixos. Outro bom exemplo deste tipo é o aluguel.

Como fazer essa contabilidade

Prepare papel e caneta, pois agora vamos te ensinar um passo a passo para fazer a sua contabilidade de custos.

Para que tudo fique bastante concreto, vamos realizar esse cálculo utilizando o exemplo da loja de roupas de que falamos anteriormente.

Imagine que você é o proprietário dessa loja e que ela só produz camisas.

É claro que esse exemplo é absurdo, pois lojas de roupas produzem vários itens como calças, meias, luvas, etc. Mas a ideia é simplificar a conta para que você a entenda bem e possa aplicar nos outros itens, numa situação real.

Pois bem: como saber se vale mesmo a pena produzir esse item?

Liste todos os custos

A primeira etapa da contabilidade de custos é saber tudo que você gasta para produzir suas camisas. Seja bem detalhista e não tenha pressa.

Uma dica para não esquecer nada é ficar uma semana ou um mês inteiro com um caderninho na mão, anotando todos os custos que aparecerem. É uma tarefa cansativa, mas que só será feita uma vez.

Suponhamos que esta seja a sua lista:

  • Aluguel: R$2.000
  • Conta de luz: R$1.000
  • Conta de água: R$300
  • Salário do funcionário: R$2.000
  • Matéria-prima (tecidos, tinta, linha de costura etc): R$5.500
  • Depreciação (máquinas que dão defeito pelo uso ou ferramentas que se desgastam e precisam ser trocadas): R$400

Separe os custos diretos

Muito bem. Da sua lista de custos, quantos são diretos? Lembre-se da melhor forma de fazer essa diferenciação: os custos diretos sempre vão aumentar ou diminuir proporcionalmente à quantidade de camisas que você produzir.

No nosso exemplo, são estes:

  • Matéria-prima: R$5.500
  • Conta de luz (quanto mais tempo as máquinas ficarem ligadas, maior a sua produção e maior a conta de luz, por isso esse custo é direto): R$1.000
  • Depreciação: R$400

Custos diretos totais: R$6.900

Compare o custo direto com o preço de venda

Vamos supor que você venda 200 camisas por mês e que cada uma custe R$80. Isso significa que o seu faturamento é de R$16.000 mensais (R$80 x 200 = R$16.000).

Agora, vamos calcular a sua Margem de Contribuição. Ela é simples de calcular e é um dado muito importante para a contabilidade de custos. Sua fórmula é simples:

RECEITA – CUSTO DIRETO = MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

Ou seja: R$16.000 – R$6.900 = R$9.100.

Pronto. Agora você sabe que tem uma receita mensal de R$16.000 e o seu custo direto mensal é de R$6.900. E também sabe que a sua margem de contribuição é de R$9.100.

Ou seja, você tem um faturamento maior do que o custo direto para aquele item, o que é ótimo.

Se não fosse assim, esse já seria o primeiro erro constatado na sua contabilidade de custos. Afinal, se o faturamento é baixo e o custo direto alto, significa que a sua margem de lucro é baixa. E ainda nem incluímos os custos indiretos.

É isso que vamos fazer agora:

Custo indireto, custos totais e ponto de equilíbrio

Estes são os seus custos indiretos:

  • Aluguel: R$2.000
  • Conta de água: R$300
  • Salário do funcionário: R$2.000

Custo indireto total: R$4.300.

Somando os custos diretos e indiretos você tem o seu custo total, que é de R$11.200 (R$6.900 + R$4.300 = R$11.200).

O último valor que é interessante saber é o ponto de equilíbrio. O ponto de equilíbrio é quanta mercadoria você deve vender apenas para pagar os seus custos. Ele é calculado assim:

CUSTO INDIRETO / (RECEITA – CUSTO DIRETO) x 100 = PONTO DE EQUILÍBRIO

No nosso exemplo ficaria assim:

R$4.300 / (R$16.000 – R$6.900) x 100

Uma vez que o resultado deve ser uma fração ou uma porcentagem, o valor do seu ponto de equilíbrio seria de 47,25%.

Ou seja, menos da metade das suas 200 camisas (mais precisamente 94,5 camisas ou R$7.560, se fizer questão de precisão absoluta) devem ser vendidas num mês para que você não tenha prejuízo.

Como dissemos, simplificamos ao máximo esse cálculo para que ele ficasse mais fácil de compreender.

A ideia é que você o aplique a cada um dos produtos que vende (use como custo direto apenas aquilo que é gasto para produzir cada produto) e você terá a contabilidade de custos completa da sua empresa.

Conclusão

Calculando assim, você sabe exatamente quanto cada produto representa para a sua empresa em vendas e receita. E é possível evitar aqueles itens cujo preço final é baixo se comparado com o preço de produção.

E também precificar melhor, já que agora entende o valor que deve estar embutido em cada unidade que produz.

Junte esses números durante alguns anos e você vai saber muito bem como a inflação incidiu sobre suas vendas, como o preço da matéria-prima oscilou e se isso influiu negativamente no seu preço final, ao longo do tempo.

Se for detalhista e disciplinado na sua contabilidade de custos sua empresa, ainda que pequena, vai tomar as decisões certas, usar bem os recursos e conquistar um lugar de destaque no segmento em que se insere!

Fonte: https://saiadolugar.com.br/

Como abrir uma empresa em Saltinho: Passo a passo para tirar as idéias do papel


Ter o próprio negócio é o sonho de muitos brasileiros, mas só em pensar nas etapas para abrir uma empresa, alguns já começam a ter pesadelos. Com o objetivo de ajudar futuros empreendedores que ainda não sabem por onde começar e incentivar aqueles que estão com receio, a Calegari Contabilidade criou o guia “Como abrir uma empresa  em Saltinho? Passo a passo para tirar as ideias do papel”.

Quanto custa abrir uma empresa em Saltinho?

Segundo uma pesquisa realizada pela Firjan, o custo médio de abertura de uma empresa é de R$ 2.038, podendo variar em até 274% entre os diferentes municípios do país.

Todavia, há despesas indiretas que pesam no bolso do empresário. São despesas, como aluguel, reforma do ponto comercial e honorários do contador, que são suportados pelo empresário antes mesmo de iniciar suas atividades. Importante lembrar que o ponto empresarial já deve estar montado desde o início do processo de registro. Isso é necessário porque o zoneamento da cidade pode impedir o exercício de determinadas atividades em certos locais e a fiscalização dos órgãos de regulação, como bombeiros e vigilância sanitária, é feito durante o processo de registro, para finalmente ter um alvará de funcionamento.

Registrar Empresa: Documentos Necessários

A formalização do seu negócio é o primeiro passo para o início das suas atividades empresariais, mas você precisa ficar atento para realizar corretamente todas as inscrições, licenças e alvarás necessários. Mesmo após ter em mãos o CNPJ, o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, e estar inscrito na Previdência Social, há uma série de licenças, registros e alvarás municipais e estaduais que você irá precisar para funcionar legalmente.

A falta de algum desses documentos poderá atrasar ou até inviabilizar a abertura do seu empreendimento. Lembre-se que para cada ramo de atividade e/ou forma de constituição escolhida para abrir sua empresa, você precisará de autorizações distintas. A legislação do município e do estado onde sua empresa será instalada também pode exigir inscrições específicas. Por isso, é importante consultar um profissional contábil que conheça a legislação local.

Para te ajudar nesse importante passo empresarial, reunimos neste guia os principais documentos necessários para abrir uma empresa.

1 – Elaborando o contrato social

Basicamente, a elaboração do contrato social irá definir as participações de capital de cada um dos sócios do empreendimento, bem como definir quais serão as atividades da empresa e seu funcionamento (modelo tributário, participação dos sócios, etc). O passo seguinte é verificar se o nome e o objeto social da empresa encontram-se disponíveis para que o documento seja elaborado, que, por sua vez, deverá ser reconhecido em cartório e assinado por um advogado.

Uma dica é avaliar, já nesse momento, se sua empresa pode enquadrar-se no Simples Nacional, que é uma excelente forma de reduzir alíquotas de tributos e simplificar sua forma de pagamento junto aos órgãos do Fisco.

2 – Registro na junta comercial

O primeiro deles é o registro na Junta Comercial ou no Cartório de Pessoas Jurídicas de seu estado. É a partir desse registro que sua empresa passará a existir oficialmente. Ele deve ser feito antes da obtenção do CNPJ e, apesar de não oferecer autorização para sua empresa começar a funcionar, é requisito essencial para prosseguir no processo de legalização dela. Lembre-se que você precisará realizar previamente uma consulta do nome empresarial escolhido, para verificar se já não existe outra empresa registrada com ele.

2 – Alvará de localização e funcionamento

O principal documento obtido no município é o alvará de funcionamento, ele é a autorização final que lhe permite abrir as portas do seu negócio. Para o obter, você precisa comprovar na prefeitura da sua cidade que reúne todas as condições exigidas por lei para exercer a atividade de sua empresa. Essas condições podem variar de acordo com o município, estado e ramo de atividade.

Antes de o requerer e até mesmo de realizar a inscrição na junta comercial, você deverá fazer uma consulta prévia na prefeitura de sua cidade, para verificar se a atividade empresarial escolhida por você pode ser exercida no local onde pretende abrir a sua empresa.

3 – Inscrição estadual

A maioria dos estados possui um convênio com a Receita Federal que lhe possibilita obter a inscrição estadual pela internet junto com o seu CNPJ, por meio de um cadastro único. Em alguns casos, a inscrição estadual deve ser obtida antes do alvará de funcionamento. Essa inscrição é obrigatória para empresas que prestam serviços de comunicação e energia, além das empresas dos setores do comércio, indústria e serviços de transporte intermunicipal e interestadual. É a partir dela que você recebe a sua inscrição no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

4 – Licenças e inscrições nos órgãos de regulação estaduais e municipais

As autorizações dos órgãos de vistoria são requisitos essenciais para conseguir o seu alvará de funcionamento. São bastante variáveis e dependem do ramo de atividade, local de instalação e até mesmo do porte de sua empresa. Algumas atividades empresariais precisam de autorização até das Forças Armadas – como é o caso das empresas que trabalham com artefatos explosivos, bélicos e produtos químicos controlados. Entre as inscrições e licenças mais comumente exigidas, estão as seguintes:

  • Licença ambiental: Obtida em órgãos Municipais e Estaduais de meio ambiente e no IBAMA. Geralmente é exigida de empresas que exercem atividade industrial, metalúrgica, mecânica, têxtil, química, de calçados, atividade agropecuárias.
  • Licença sanitária: Obtida em órgãos Municipais, Estaduais e Federais de vigilância sanitária. É exigida principalmente de empresas que atuam no setor de alimentação, medicamentos e cosméticos.
  • Vistoria de cumprimento das normas de segurança: É realizada pelo Corpo de Bombeiros e praticamente todas as empresas estão sujeitas.

Além das inscrições e licenças municipais e estaduais, algumas atividades exigem a inscrição em órgãos federais, como o ministério do turismo, ministério da agricultura, pecuária e abastecimento, polícia federal, entre outros.

É essencial que você consulte um escritório de contabilidade , que é a pessoa mais indicada para te orientar em todas as licenças e inscrições que sua empresa irá precisar de acordo com seu ramo de atividade e demais características.

Fatores de Sucesso e Insucesso de Micro e Pequenas Empresas

O número de micro e pequenas empresas (MPES) cresce a cada dia no Brasil. Dentre os diversos fatores de suporte a este crescimento, tem-se o empreendedorismo, mas embora haja uma quantidade significativa de micro e pequenos empreendimentos, existe uma preocupação com o tempo de vida dessas empresas, que muitas vezes não sobrevivem ao mercado grande e competitivo. Assim, este estudo vem abordar os principais fatores que contribuem para o sucesso ou insucesso das micro e pequenas empresas, considerando as características dos negócios pesquisados e de seus empreendedores. Demonstra-se por meio de um estudo multi-casos, baseado em entrevistas semi-estruturadas com empresários, quais desses fatores estão/estiveram presentes na vida das empresas pesquisadas. Conclui-se que, fatores como qualificação, organização, dedicação e a capacidade de assumir riscos e de inovar no negócio são algumas das qualidades positivas observadas no empreendedor. Além disso, o planejamento do negócio revelou-se fator essencial para o seu sucesso. Por outro lado, o insucesso revelou-se suportado por questões como falta de foco e identidade e, principalmente, ausência de planejamento do negócio. Em relação ao empreendedor, tem-se que o pouco conhecimento do mercado e, especialmente do ramo em que estava atuando contribuíram para o fracasso da empresa.

A cada dia novos negócios são iniciados e estes, por sua vez, nem sempre alcançam o sucesso esperado.Assim, muitos acabam fechando em pouco tempo. O presente estudo vem tratar destetema de importante relevância para a sociedade, visto que empresas, principalmente as de micro e pequeno porte, são cada dia mais comuns no Brasil.

Assim, esta pesquisa volta-se para o empreendedorismo de micro e pequenas empresas no Brasil. Estas foram escolhidas devido a sua grande representatividade e importância no País. As diferentes motivações que levam as pessoas a empreenderem um micro ou pequeno negócio também estão aqui abordadas, o que se relaciona muitas vezes ao perfil do empresário que estará à frente dos negócios. O tópico inicial trata das motivações para a abertura de novas micro e pequenas empresas. . Na sequência, apresentam-se diferentes perfis de empreendedores, classificandose algumas técnicas e habilidades que são requeridas aos mesmos. As etapas do processo empreendedor também estão tratadas com atenção nesta pesquisa. No tópico seguinte do estudo, pode-se compreender alguns pontos importantes que levam as empresas a permanecerem ou não no mercado. Puderam ser apontados alguns fatores de sucesso da empresa, identificando as qualidades e pontos positivos do empreendedor e do empreendimento. Da mesma forma, observam-se estas características no ponto de vista oposto,ou seja, as que acabam contribuindo para o insucesso do negócio. Estudos de casos foram realizados para transportar o que foi estudado no referencial teórico para a realidade e cotidiano de duas empresas distintas. A primeira empresa estudada (Empresa α), ainda permanece no mercado e vem alcançando o sucesso esperado. A segunda empresa estudada, (Empresa β), já encerrou suas atividades. Assim, abordam-se por meio de entrevistas semi- estruturadas junto aos empresários, algumas questões relevantes e que contribuem para o alcance dos objetivos do estudo aqui proposto. . Demonstra-se o que de fato ocorre/ocorreu com estas empresas à luz do referencial teórico utilizado, concluindo-se com algumas considerações e observações importantes. Para o alcance de tais objetivos, a presente pesquisa foi conduzida a partir da busca de respostas a algumas questões essenciais : Quais os fatores contribuem para que uma micro ou pequena empresa obtenha sucesso? Quais ações o empresário vem desenvolvendo para manter o seu negócio? Quais fatores na visão do empresário, conduziram a empresa ao o término das suas atividades ?

Motivações para empreender uma micro ou pequena empresa

É notável a quantidade de micro e pequenos empreendimentos existentes hoje no Brasil. Segundo o SEBRAE-SP (2006), as micro e pequenas empresas correspondem a 98% das empresas brasileiras. Talvez a diversidade de formas de se classificar estas empresas e, principalmente, as facilidades que estas vêm adquirindo no setor financeiro, constituam-se em motivos que têm levado os empreendedores a montar um negócio com estas características. Para Azevedo (1992) este interesse está relacionado à disponibilidade de capital do empreendedor, mesmo que este seja advindo de seus direitos/incentivos após sua saída do trabalho. O sonho de ter o próprio negócio e o desemprego, também são expostos por Azevedo (1992), que afirma entretanto que, por trás de qualquer interesse há uma motivação principal, o interesse lucrativo. SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia 2 Em entrevista concedida ao SEBRAE/RJ (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro) em 2003, Marília de Sant’Anna Faria (Técnica no SEBRAE/RJ), e Takeshy Tachizawa (professor da Fundação Getúlio Vargas) destacaram outras motivações, além das já defendidas por Azevedo (1992). Dentre elas a identificação de uma oportunidade, a experiência anterior, a insatisfação no emprego e o tempo disponível. Os autores destacam esses fatores como sendo grandes motivos “que têm levado um grande contingente de pessoas a abrir um negócio próprio” (FARIA; TACHIZAWA, acesso em 20 mar. 2010). Indo ao encontro do que é exposto por Faria (2003) e Tachizawa (2003), pode-se reafirmar que, aliado às facilidades que o Governo vem oferecendo – para o desenvolvimento do País – há de se considerar as diversas motivações que derivam de características pessoais que contam no momento de se tomar a decisão. Desta forma, o tópico seguinte trata dos empreendedores e de algumas de suas habilidades e características essenciais.

O Empreendedor

Dornelas (2001) afirma que empreendedorismo pode ser ensinado, desde que as habilidades requeridas a um empreendedor sejam compreendidas e seguidas em equilíbrio com dificuldades cotidianas, alcançando provavelmente o sucesso da empresa. No livro, “Iniciando uma Pequena Empresa com Sucesso”, Morris (1991) define quatro tipos de pessoas que abrem empresas, que aqui chamamos de empreendedores. Ele os diferencia em o artesão, o administrador experiente, o vendedor e o burocrata. O que se nota de diferente entre esses empreendedores são habilidades e características pessoais, que “sobram” a alguns e “faltam” em outros, não havendo muitas vezes um equilíbrio no perfil dos empreendedores. Dornelas (2001) classifica as habilidades requeridas a um empreendedor em três áreas: Técnicas; Gerenciais; e Pessoais. Empreender requer práticas e habilidades especiais. O autor ainda divide o processo empreendedor em quatro etapas, afirmando que, apesar de serem mencionadas seqüencialmente, não se faz necessário terminar uma etapa para iniciar a outra, sendo elas: Identificação e avaliação da oportunidade; Desenvolvimento do plano de negócio; Determinação e captação dos recursos necessários; e Gerenciamento da empresa criada. A seguir serão discutidos alguns fatores que contribuem para o sucesso ou o fracasso das empresas, reafirmando algumas vezes o que já foi dito neste capítulo.

Alguns pontos considerados importantes para o sucesso

Neste tópico vê-se que alguns fatores, atitudes e ações contribuem para o sucesso ou o insucesso das empresas. Alguns autores e estudos abordam esta problematização e auxiliam a compreender melhor esses fatores. Dentre eles, uma pesquisa realizada pelo SEBRAE (2007), onde dois fatores principais são mencionados como sendo determinantes para o sucesso alcançado: um ambiente econômico melhor e uma maior qualidade empresarial (SEBRAE, 2007). No quesito ambiente econômico, os organizadores da pesquisa afirmam que: “[…] ocorreram a redução e o controle da inflação, a gradativa diminuição das taxas de juros, o aumento do crédito para as pessoas físicas e o aumento do consumo, especialmente das classes C, D e E” (SEBRAE, 2007, p.4). Já no ponto de vista da qualidade empresarial: […] os empresários que já têm curso superior completo ou incompleto já são 79% do total, e aqueles com experiência anterior em empresa privada subiram de 34% para 51%. […] empresários muito mais capacitados para enfrentar os desafios do mercado […] (SEBRAE, 2007, p.4). Os organizadores do estudo afirmam que os empresários melhor qualificados sabem administrar e lidar com os problemas de ordem econômica de uma melhor maneira SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia 3 (SEBRAE, 2007). Pereira (1995) menciona algumas qualidades do empreendedor e dos empreendimentos que se constituem como base para o sucesso dos mesmos. – Qualidades do empreendedor: “Diversas características de personalidade que tipificam o perfil do empreendedor podem ser consideradas ‘qualidades’ essenciais ao sucesso do empreendedor e consequentemente do empreendimento” (PEREIRA, 1995, p. 273). Tais como: • Motivação para realizar; Persistência na busca dos objetivos: saber onde se quer chegar; Criatividade: implica em liberdade para agir independentemente; Autoconfiança: estar seguro das próprias idéias e decisões; Capacidade de assumir riscos: ter iniciativa e assumir responsabilidade pelos próprios atos; Outros atributos pessoais: capacidade para delegar tarefas e decisões; capacidade prospectiva para detectar tendências futuras; espírito de liderança para conduzir e orientar equipes, entre outros. – Qualidades do empreendimento: “[…] as empresas também têm pontos positivos e problemas […]. As principais qualidades que constituem a base do sucesso empresarial (PEREIRA, 1995)”, são: Na área mercadológica; Na área técnico- operacional; Na área financeira; Na área jurídico- organizacional. O autor lembra ainda, que muitas vezes não se faz necessário ter todas as características mencionadas acima, a presença de algumas já demonstra um indicador positivo uma vez que estão inter-relacionadas. Já Zaccarelli (2003), afirma que, é uma grande falácia considerar que os empresários por suas características pessoais e seu capital determinam o sucesso da empresa, ele justifica este fato por se tratar de atributos do empresário e não do negócio. O estudo do SEBRAE (2007), também faz um levantamento com os empresários entrevistados, considerando os que estão na ativa e os que já tiveram suas empresas extintas, em que os mesmos apontam o que para eles são fatores de sucesso. Os fatores mencionados foram divididos em três categorias: Habilidades gerenciais; Capacidade empreendedora; Logística operacional. A partir das tabelas (4, 5 e 6) abaixo, pode-se compreender e distinguir estes fatores de maneira mais detalhada. Vale destacar que os entrevistados podiam ter mais de uma resposta.

Alguns pontos que contribuem para o fracasso e insucesso

Ao se aprofundar no insucesso e fracasso das empresas, Zaccarelli (2003) seleciona e menciona seis lições que, para ele, não são consideradas suficientes para levar uma empresa ao sucesso. São elas: Corrigir deficiências e erros da administração; Tentar imitar empresas bem-sucedidas; Buscar excelência; Buscar ser bom em tudo; Usar técnicas administrativas modernas de fácil implantação; e Elaborar planos superficiais. Dentre as razões para o fechamento das empresas destacados no estudo realizado pelo SEBRAE em 2007, tem-se que: “A carga tributária é o fator assinalado que mais impacta nas empresas” (SEBRAE, 2007, p. 38). Pereira (1995) menciona fatores externos que, geralmente, também são citados pelos empreendedores que recentemente tiveram seu negócio fechado. São eles: a culpa do governo, da inflação, do mercado, dos concorrentes, dos fornecedores, dos juros altos cobrados pelos bancos, e da infidelização dos clientes. Chér (1991) afirma que a inexperiência com o ramo dos negócios, é um dos motivos que levam as empresas ao fracasso, muitas vezes, precocemente. A falta de competência administrativa, também é mencionada por este autor, que afirma que, ocorre do empreendedor conhecer o ramo, mas não saber administrar/gerenciar. Nesse sentido, torna-se pertinente lembrar que nem todo o empreendedor foi capacitado formalmente para abrir um negócio. E, mesmo se tratando daqueles que passaram por cursos de graduação em administração, muitas vezes, o que ocorre é que estes não são formados adequadamente no que se refere aos aspectos empreendedores, visto que há uma ênfase na teoria em detrimento da prática, observada em tais cursos. Variáveis de ordem psicológica, também colaboram para o fracasso das empresas, segundo Chér (1991). “A falta de resistência e a incapacidade de assumir riscos, não podem fazer parte do espírito empreendedor. A não capacidade de se conviver com longos períodos de dificuldades pode ser fatal.” (CHÉR, 1991, p. 22). Segundo Mattar (1988), existem fatores externos e internos que levam a empresa ao fracasso. Os motivos externos dizem respeito ao que ocorre no meio ambiente da empresa, que está fora do seu controle e que lhe dificulta a sobrevivência. Os motivos internos dizem respeito aos pontos fracos das pequenas empresas que também contribuem para reduzir sua sobrevivência (MATTAR, 1988). Dentre os motivos externos abordados por Mattar (1988), destaca-se o chamado ‘efeito sanduíche’, em que as pequenas empresas compram de grandes fornecedores e vendem para grandes clientes, ficando na situação em que os preços de compra são impostos pelos fornecedores e os preços de venda são impostos pelos clientes. O baixo volume de crédito e financiamento disponível, e a mão-de-obra desqualificada também são fatores determinantes para o fracasso da empresas (MATTAR, 1988). Em relação aos fatores externos citados por Mattar (1988), Chér (1991) lembra que, é importante por parte do empreendedor, demonstrar segurança e credibilidade juntos às instituições financeiras, a fim de obter maior volume de recursos. Já dentre os fatores internos, Mattar (1988) lança a idéia de Drucker das empresas ‘anãs’. A empresa ‘anã’ é pequena porque sofreu alguma distorção estrutural durante sua implantação ou durante o seu desenvolvimento, que em muitos casos é irreparável. Em função disso, ela é ineficaz e tem propensão a minguar cada vez mais até desaparecer, pois não reúne condições de enfrentar a concorrência com sucesso e muito menos de permanecer sintonizada com as contínuas mudanças ambientais (MATTAR, 1988). Os outros fatores internos são: o desencontro dos objetivos da empresa com os interesses do empresário, e a falta de recursos financeiros para tocar o negócio. Finalmente,  6 último fator interno, resultante segundo Mattar (1988), de um fator externo, remete-se à inadequada formação e noção sobre o negócio, onde o empresário não sabe lidar com determinadas situações e problemas. Para Pereira (1995), os fatores do fracasso são quase uma imagem reversa dos fatores do sucesso, ele conclui que o empreendedor muitas vezes deixa de utilizar suas características pessoais e os instrumentos que tem sob seu controle para gerir de maneira correta.

Metodologia na Gestão e na Contabilidade

De acordo com Silva e Menezes (2000) a pesquisa do ponto de vista qualitativo, considera uma relação entre o mundo real e o sujeito da pesquisa, não respondendo às questões em números, mas sim a partir de uma análise indutiva. Classificando esta pesquisa em relação aos seus objetivos, tem-se uma pesquisa de caráter exploratório. Isto porque segundo Gil (2009) estas pesquisas geralmente aprimoram idéias, e envolvem na maioria das vezes levantamento bibliográfico, entrevistas com quem já tem experiência com o problema pesquisado e análises de exemplos que motivem e facilitem a compreensão. Pode-se dizer ainda que, esta pesquisa é também descritiva quanto aos seus objetivos. Isto porque neste estudo, descrevem-se os fatores que contribuem para o sucesso ou fracasso das MPES, bem como o perfil dos empreendedores que estão à frente desses negócios. Ao confrontar a visão teórica com os fatos da realidade, Gil (2009) afirma que é preciso determinar um modelo conceitual, denominado delineamento. Já os estudos de casos, são definidos por Gil (2009, p.54) como: “[…] o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento […].” O autor trata ainda da crescente utilização de estudos de caso por diferentes propósitos. No caso deste estudo, pode-se considerar a preservação do caráter unitário do objeto de estudo, como sendo um deles. De acordo com Mattar (2001), os estudos de caso selecionados auxiliam a aprofundar o conhecimento de problemas não suficientemente definidos. Tem-se neste estudo dois casos a serem estudados, com empresas distintas. A primeira empresa analisada é a Empresa α, que se enquadra nos padrões de empresa de pequeno porte, segundo o critério de número de funcionários. Atua no ramo alimentício e localiza-se no bairro Praia do Canto em Vitória, Espírito Santo. A empresa possui 22 funcionários e é administrada por Khemel, que é graduado em Administração. Está no mercado desde dezembro de 2008, a entrevista foi feita em maio de 2010. A segunda empresa analisada é a Empresa β, esta também se enquadra nas empresas de pequeno porte, segundo o critério de faturamento. Foi lançada no mercado em 2006. Anteriormente, o estabelecimento era uma loja de artigos masculinos. Mais tarde, em dezembro do mesmo ano, o ponto foi dividido para a loja e uma lanchonete. Oito meses depois, a loja foi extinta, expandindo-se a lanchonete que se transformara em um bar, até dezembro de 2009, ano do seu fechamento. Khalil, o empresário que é graduado em Administração, colaborou com este estudo, relatando alguns aspectos que contribuíram para o fechamento da empresa. Estas empresas foram selecionadas pelo pesquisador, a fim de demonstrarem a realidade do que é expresso pelos autores e apresentado no referencial teórico deste trabalho. . O objetivo desta escolha esteve em aprimorar e ganhar mais conhecimentos sobre o assunto, sem evidenciar, contudo, a representatividade de uma população, considerando a natureza qualitativa do estudo, conforme já mencionado. A coleta dos dados desta pesquisa foi in loco, por meio de entrevistas pessoais com os empresários. As entrevistas foram semi-estruturadas, com o intuito de obter informações sobre os negócios, sobre os empreendedores, e também sobre a visão que os mesmos possuem SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia 7 a respeito de sucesso/fracasso empresarial. De acordo com Lakatos e Marconi (2006) entrevistas semi- estruturadas são: “[…] quando o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de explorar mais amplamente a questão” (LAKATOS; MARCONI, 2006, p.279). Para facilitar o trabalho do pesquisador, e proporcionar mais tranqüilidade aos entrevistados, alguns recursos foram utilizados nas entrevistas, como: roteiros impressos para melhor acompanhamento e desenvolvimento da entrevista e um gravador, que facilita o entrevistador e o entrevistado para seguirem de maneira mais fluente, e sem interrupções, uma vez que, com a entrevista gravada, o pesquisador pode retornar com calma às respostas, e analisá-las cuidadosamente. Em uma primeira reunião, no mês de Abril de 2010, foi relatada aos sujeitos da pesquisa, uma explicação sobre este trabalho, bem como a importância de suas participações, por meio dos estudos de casos, para enriquecer e desenvolver de maneira mais completa o estudo. Os roteiros de entrevistas abordaram questões de caráter pessoal dos empreendedores, dados referentes às empresas em estudo bem como questões relacionadas ao que foi visto no referencial teórico. Dentre estas questões, pode-se mencionar: motivações para abrir uma empresa; características empreendedoras; identificação de oportunidades para iniciar o negócio; a importância do plano de negócios; a determinação e a captação de recursos; a gestão da empresa; e fatores considerados de sucesso/insucesso. Ao empresário que já tivera suas atividades encerradas (empresa fechada), além das perguntas relacionadas aos temas citados, coube também a apresentação de todo o processo de abertura e fechamento da empresa, assim como algumas perguntas direcionadas exclusivamente a ele, que não se enquadram no caso da Empresa α. O tratamento dos dados foi realizado por meio de análise qualitativa, porque conforme Trivinos (1987), esse método objetiva conhecer a realidade segundo a perspectiva dos sujeitos participantes da pesquisa. Para Miles e Huberman (1984) é importante que seja feita a redução dos dados, selecionando, simplificando e transformando esses dados para que o pesquisador possa chegar a uma conclusão desejada. A abordagem desse estudo de casos é qualitativa, em que não há restrição em relação ao método ou técnicas utilizadas (MINAYO, 2000).

Análise de Dados Contábeis

As duas empresas analisadas e pesquisadas são: as empresas α e β. Primeiro menciona-se algumas características e informações gerais sobre as empresas, a fim de obter-se uma noção e aproximação maior com os sujeitos das pesquisas. Em seguida, a partir das informações coletadas nas entrevistas, faz-se uma análise dos dados com o referencial teórico, e realiza-se um emparelhamento para saber se o que acontece na realidade e no cotidiano dos empresários estudados, condiz com o que foi abordado no referencial teórico.

 

 

Resumindo

Observou-se que a mortalidade das empresas de micro e pequeno porte é muito comum. Assim, deu-se início a uma pesquisa, baseada em dois estudos de casos, a fim de compreender quais fatores ligados à empresa e ao empreendedor que contribuem para o sucesso ou insucesso dos empreendimentos. A partir destes estudos de caso, pôde-se concluir e verificar o que os empresários realizaram ao longo dos anos de empresa, para que as mesmas obtivessem o sucesso ou insucesso. . Por isso, optou-se por escolher uma empresa que ainda se mantêm no mercado, e outra que já encerrou suas atividades. Partindo da análise da Empresa α, tem-se que a maioria das atitudes realizadas ao longo dos anos pelo empresário Khemel, tiveram organização e foco no que se deseja realizar. Ao emparelhar os dados coletados com o referencial teórico, observou-se que além das qualidades que são positivas ao empreendedor, há na empresa características benéficas para o sucesso. A qualificação, organização, dedicação e a capacidade de assumir riscos e de inovar no negócio, são algumas das qualidades positivas observadas no empreendedor. Já em relação aos negócios, além da identificação da oportunidade para sua abertura, houve o planejamento, que se conclui como uma ferramenta essencial ao negócio, pois além de garantir mais segurança ao empreendedor, prevê uma análise futura da empresa. Os recursos utilizados na empresa e o gerenciamento da mesma, também justificam o sucesso da Empresa α, que encontra-se no mercado até os dias de hoje. Em contrapartida, a Empresa β vem demonstrar quais fatores contribuíram para o seu insucesso. Após análise cuidadosa dos dados, observa-se que por parte da organização do negócio ocorreram algumas falhas, faltando foco e principalmente planejamento do negócio. Em relação ao empreendedor, tem-se que apesar do mesmo possuir qualificação para área de gestão de empresas, o mesmo não tinha conhecimento do mercado e do ramo em que estava atuando. A identidade da Empresa β não foi mantida durante os três anos de funcionamento, visto que o foco mudou em função de uma demanda, isto demonstra que, apesar do empenho por parte dos empresários, que tentavam inovar e se diferenciar para se manter no mercado, o desconhecimento e a inexperiência contribuíram negativamente para o negócio, que encerrou sua atividades não por problemas financeiros ou contábeis, mas por questões de qualificação dos empresários, que não estavam preparados para gerenciar a empresa, em virtude do próprio destino que esta ganhou. Assim, considera-se que esta pesquisa contribuiu para se conhecer melhor os fatores que podem afetar o sucesso ou insucesso das empresas, bem como para se observar duas realidades mais próximas e analisar se, o que foi demonstrado por estudiosos, aplica-se no cotidiano. Não se pode, contudo, generalizar o resultado desta pesquisa a todas as micro e pequenas empresas, uma vez que cada uma possui uma realidade distinta e estão expostas a condições ambientais, externas e internas diferentes. Pretende-se, de qualquer forma, que esta pesquisa possa auxiliar no conhecimento de estudantes, professores, empresários e interessados neste assunto.